Depois de mantê-los incógnitos ou de me acostumar a usar os sites alheios, não vejo, enfim, porquê não publicá-los (e se não tinha feito isso até agora foi por pura preguiça).

Sempre que escrevia uma crítica ou crônica, invariavelmente, se não fosse publicado pelos pequenos jornais de minha cidade, ficava guardado no meu HD. São vários textos que tenho e que, por falta de oportunidade ou por não me dispôr a lidar com eles num blog, ficaram guardados até agora. Tomo então a inciativa de dar-lhes luz e publicidade através da internet.

Tenho resenhas de livros também, mas não vejo ainda oportunidade de incluí-las aqui. Continuam espalhadas por sites afora.

Quanto aos contos, são prativamente a razão disso tudo. Depois de algum tempo escrevendo para o Leia Livro, site mantido pela Secretária de Estado da Cultura, de São Paulo, creio já ter amadurecido bastante para tentar manter, por minha própria iniciativa, um blog literário que suporte meus textos curtos.

Textos longos mantenho no meu outro blog, criado exclusivamente para divulgar os livros de minha saga de fantasia A Fome de Íbus, cujo primeiro livro, o Livro do Dentes-de-Sabre, pode ser adquirido pela internet.

Tomo a liberdade de, às vezes, incluir textos que pertençam a terceiros (o que contraria frontalmente a proposta original deste blog. Fazer o quê? Farei isso quando achá-los tão bons e oportunos, que se torne premente sua divulgação ante meus próprios dogmas). Cometerei esta indiscrição alegremente, descaradamente e sem dó, disseminando suas idéias e inteligência. Vou logo pedindo licença e perdão aos autores.

Assim, sem encontrar mais oposição (minha própria), que justique o contrário, nasce o Charranspa (que não significa nada além de ter sido um dos meus apelidos de infância).

Tomo este meu velho pseudônimo como tema e batizo este espaço.

Está feito.

Albarus Andreos

Junho de 2007.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Brügmann, o Fantasma

Albarus Andreos
Março de 2007.

Brügmann era um fantasma. Vivia no porão, ou melhor dizendo, nos porões. Sabia que ele era um fantasma porque já havíamos nos falado muitas vezes antes. Um fantasma que não podia pôr sua cabeça acima da terra. Mais precisamente, acima dos limites específicos de uma cova. Melhor dizendo: terra à cima.

A primeira vez que o vi foi durante a guerra. Papai havia partido com a tropa para os lados do Vale do Paraíba, onde os cariocas avançavam. Em todo o leste do Vale eles voavam com seus aviões e despejavam bombas. Algo indizível! Fui ao mercado como mamãe havia pedido e, não podia ser diferente, percebi-me num tumulto de gente embasbacada que via apenas metade da construção. Soldados vestidos com fardas cor de terra moviam-se com seus fuzis nas mãos. No meio da confusão, cavalos agitados puxavam o carro dos bombeiros, que tentava apagar o fogo vivo. Não havia mais o açougue de Seu Fernão Maia, onde a minha listinha dizia para apanhar dois quilos de carne-moída. Seria dia de porpetas.

Numa parede, via inscrição feita com tinta vermelha: PÓ. Eu mesmo a fizera, sorrateiro como um gato, durante a noite anterior, apenas fechando o C que vinha após o P e pondo o acento, em seguida. Adorava traquinagens. Pregar peças e inventar histórias era mesmo comigo. Soube que aquelas inscrições PC pipocavam nas cidades paulistas onde os constitucionalistas eram saudados. Eu apenas não sabia o que significavam. Vinha então, ao anoitecer, com a latinha e transformava aquilo em algo que fazia as pessoas rirem. Eu mentia que não era o autor daquilo. Minha mãe ficava horrorizada e até me bateu uma vez; não que ela sentisse qualquer simpatia à causa, que lhe tirara o marido e o pusera no campo de batalha, há quarenta dias. Eu nunca morara em outro lugar mas a família, por parte de minha mãezinha, vinha do Rio, e eles achavam que São Paulo queria se emancipar da União, contrapondo-se como estava, à Vargas. Meu pai, já era constitucionalista até as raízes dos cabelos.

Ouviam-se os zumbidos dos aeroplanos de origem francesa Nieuport durante toda à noite, e os ruídos do bombardeio que vinham do centro não nos deixavam dormir. Eu chorava com saudades de papai, abafando o lamento com o travesseiro para ninguém ouvir. Foi assim que me levantei e, ato contínuo, fui até o porão ver, não sei o quê. Faz tempo. Lembro do lacrimejar constante... Acho que chorava ainda, mas não percebia. Minhas pernas não paravam de se mover e meus pés pisavam o chão que eu não tinha intenção de percorrer. Nos fundos da residência ficava o porão. Passei as teias de aranha e abri a portinhola em meio ao estrepito que não tinha certeza soarem apenas em meu sonho. Lá havia brilho de velas, como abelhas meladas reluzindo à vaga-lumes. Sinistro, assustador, mas eu não parava. Não parei. Fui entrando então no fundo daquela cova, atrás do banheiro da cozinha.

— Demoraste! — disse Herr Brügmann.

— Quem... Quem és? — perguntei, choramingando. Estava assustado como nunca antes em toda a vida.

— Sou um fantasma. O responsável por fazer-te adulto, não vês?

— O que fazes no nosso porão? Mamãe vai...

— Não estou em vosso porão. Estou sob a terra, lugar que a ninguém pertence. Podes construir e destruir sobre o mundo, mas o submundo tem outros donos que não te competem saber — isso soou mais sinistro naquele momento do que podem imaginar. — Só estou aqui porque, condenado que sou, devo permanecer enterrado! Bem... não exatamente enterrado... já que a cláusula não fora bem escrita, na verdade. — O espectro parecia tergiversar, mas então ficou novamente resoluto e ereto. — Da terra para baixo estou e pronto! O contrato dizia “...sob a terra...”. Aproveitei-me disso. Não sou qualquer um. Oh não! A Letra da Lei não me guarda qualquer segredo. Devo dizer que, antes de servir ao Kaiser, formei-me com louvor, bacharel, em Kiev.

Era um fantasma! Eu estava falando com um fantasma sob o chão de casa, defronte ao amontoado de caixas e guardados empoeirados de anos e anos. Continuou, ajustando o óculo de prata sobre a vista esquerda.

— O acordo versava que, a partir de minha morte, sob a terra deveria ficar. Vontade de Deus... Enfim, aqui estou, como bem vês. O chão ali em cima e eu aqui em baixo. Nada poderás reclamar à Morte sobre eu ter desobedecido “o contratado”. — A aparição cofiou os finos e longos bigodes assentados à goma e ante o inusitado silêncio respondi, achando que deveria:

— Oh! Não senhor! Não me atrevo a...

— Muito bem então, rapazinho. É hora de saberes que teu pai está morto.

— O que? Não! Não está!

— Ah! Vejo que vai ser mais difícil que imaginava.

— Vou chamar mamãe.

— Não faça isso, Ela vai dar-te uma sova por estares mentindo de novo!

— Eu... Não minto!

— Oras! Poupe-me o trabalho de fazer-te convencer do óbvio. Não tenho tempo. Tenho que visitar outro domicílio ainda nessa noite. A causa dos paulistas vai de mau a pior.

— Espera! Quem dissestes que era?

— Sou Ludvic Von Brügmann, mein jongen. Vigésimo de cavalaria e correio pessoal do Kaiser — a aparição bateu com os calcanhares produzindo um estalido e inclinou-se empertigada, para frente, num ato reverente, apontando-me a ponta ameaçadora que se projetava do topo de seu capacete. Um par de medalhinhas na altura do peito oscilaram sobre o bolso da túnica militar debruada de galões. Reluzente tira de couro vinha cruzada do ombro, coberto de dragona, para a cintura, onde esplêndido sabre pendia em bainha decorada de pedrarias. Usava calças com culotes e lustrosas botas de montaria, até os joelhos. Era totalmente branco, o fantasma. Translúcido como, água com farinha.

— Estou sonhando, não estou? — perguntei.

— É óbvio! Naturalmente.

— O que o correio do... Kaiser... tem a ver com... Disseste que papai morreu?

— Brilhante! Entendeste sem que precisasse repetir. Mostra um intelecto admirável para um bebezão... Tenho que partir, agora.

— Bebezão? Espera, mas...

E se foi por três anos e meio.

Da próxima vez que o vi foi quando tia Elizabeth foi tomar banho de rio com seu namorado. Não que se soubesse disso, à época, ela dissera ir a confeitaria com amigas, mas que nada... Herr Ludvic Von Brügmann apareceu de novo.

Acordei de sono pesado que mal permitia que minhas pálpebras abrissem. Nunca adivinharia que novamente me convocava. Fui, sob garoa fina, até o poço. Puxei as tábuas que o cobriam exibindo a boca escura e banguela para o céu. Lá dentro, no negrume, pisando a superfície da água sem afundar, estava ele. Surpreendentemente, pus-me a pensar que o que acontecera na outra ocasião não havia sido um mero pesadelo premonitório. Estava acontecendo de novo!

— Antes que tomes demais de meu tempo, tenho apenas cinco minutos. — Disse, olhando um elegante relógio de bolso com corrente, que retirara da algibeira. Voz ecoante e carregada de forte sotaque germânico, como antes. Falava com tal intimidade que parecia que costumássemos nos falar diariamente.

— Quem?

— De novo! De novo! Ora, sou eu Brügmann, seu kameraad para más notícias, lembra-se?

A dor de sua primeira visita retornou. Fiquei aturdido pela arrogância da aparição que me fazia levantar durante o sono pela segunda vez na vida, o que para mim já era suficientemente irritante. Aliás, levantar durante o sono era exatamente o que sabia estar fazendo. Não era sonho algum! Impossível, embora minha sanidade fosse posta à prova. Segundo se dizia, beliscões não doíam durante os pesadelos, e eu estava já suficientemente dolorido em algumas partes do corpo, provando a mim mesmo, vezes seguidas, que não dormia!

— Tu me disseste da outra vez que papai havia falecido!

— E não foi?

— Sim... Morreu.

— Exato. Exato. Um rebelde... Agora venho falar de tua tia e madrinha de batismo, Elizabeth, ela também desencarnou, precisamente há doze horas e dezessete minutos... Afogada. Despudoradamente nua, é assim que será encontrada. Gerará os mais torpes dos comentários!

— Tia Betinha? O que... — Ela sumira, sim! Ficamos procurando por ela a tarde toda, até a polícia foi chamada. Continuei balbuciando. — Disse que iria à “Casa Predileta” com amigas de conservatório, depois... — Não compreendi, a princípio, o que fazia. Mas estava falando com algo me se dizia um fantasma e argumentava com ele como se fosse o mais natural, numa situação daquelas. A voz parou na minha garganta, então.

— Balela, balela. Foi com o namorado nadar no rio e morreu afogada, abraçada ao cafajeste.

— A... Abraçada?

— Não tecnicamente... isto é... Estavam abraçados no início, digo... mas depois estavam agarrados um ao outro porque nenhum dos dois sabia nadar e... cada um tentava se suster ao outro para salvar a própria pele.

— No rio! Mas... o que faziam? O que...

— Ora rapazinho. É obvio o que faziam. Você só diz obviedades? Quantos anos tem mesmo? Treze?

— Sim... Treze, mas...

Asdruck von Überraschung, Enttäuschung oder Aufregung. Tenho que moderar minha língua. Desculpe, garoto. Realmente gostaria de ficar mais, mas tenho que viajar até a Índia... Rebeldes, sabe? Como teu pai. Os ingleses são bem irascíveis... Como os portugueses! Eles ainda governam teu país? Ah! Não mais... Me esqueci? Falha minha. Mas sim, a Índia... Muita gente morrendo... Essas coisas.

E se foi.

Nunca parei de me perguntar sobre as visões nefastas que me faziam imaginar aquelas coisas. Sei que as mortes de gente tão querida poderiam pôr-me em estado mentalmente delicado a ponto de deixar-me levar pela imaginação, é certo! O choque da perda, os parentes se lamentando de brigas tidas e alegrias repartidas. Todo o clima de comoção e de espanto devido a tristeza. Mas não me parecia adequada a sensação que tinha sobre estes funestos acontecimentos, já que o tal fantasma aparecia antes de se saberem de tragédias consumadas. Vinha, falava e acontecia. Batata. Teria eu o dom para o fantástico?

Por ocasião da morte de meu tio Lucas, não vi o fantasma. Aliviei-me enormemente. Fiquei deveras convencido de que tudo afinal se tratara de alucinação. Julguei-me livre da doença, mas tudo retornou como antes quando foi a vez de Rosaligia, nossa empregada. Uma segunda mãe para mim.

Quatro tranqüilos anos depois da morte da safada da tia Betinha, ele, herr erscheinung, ressurgiu. Acordei (como se puxado da cama) e fui (como se empurrado) até o porão, de novo.

— Mas que diabos! Brügmann.

— Cuidado fedelho! Os infernos podem te escutar...

— O que fazes aqui de novo? — A pergunta era óbvia, mais uma vez. O fantasma ficaria irritado, mas que ficasse! — És fruto de minha mente. — completei.

— Fruto de tua... Ora! Nunca fui tão insultado! Pois saiba que sou um mensageiro real, duas vezes condecorado pelo Barão de Holfsburg por prestativos serviços à coroa. E além disso não tens uma mente tão criativa, não te gabes disso, fanfarrão. Que frutos poderiam advir dela? Mentir é só o que sabes fazer. Mas, respondendo a tua argüição, é óbvio que estou aqui porque alguém morreu!

— Não é, senhor sabichão! Não vieste quando tio Lulu morreu!

O fantasma levantou as sobrancelhas. — Espero que não tenhas sentido saudades mein junge. Eu não senti! Não vim porque não gostavas dele mesmo. Meu contrato reza especificamente esta alínea com uma frase em negrito. “Só venho quando te importas”. Não gostavas dele. Mal o conhecias. Não derramaste uma lágrima por ele, não foi? É isso. — o espectro cofiou o bigode. Então o óculo desprendeu-se de sobre a bochecha macilenta e caiu pendurado numa fina corrente. —Ah! Não vim também quando aquela empregadinha de tua mãe, dama de toucador, não estou preciso como podem se chamar estas moças. Enfim... Ela morreu em janeiro de doenças do pecado. Não vais reclamar também de minha ausência por ocasião se seu funeral?

— De quem falas? Ah... Imagino que sei, mas ela não trabalha mais aqui desde o início do ano retrasado. Mamãe a demitiu. Não me lembro se era Lurdinha...

— És bem falso, não é rapagão? Lourdes foi quem te iniciou nas libidinosas artes de Eros. Agora tratas da carne que te alimentou assim de forma tão displicente?

— Não sei de que...

— Continuas mentiroso. O tempo passa para ti e assim continuas... Mas não te preocupes. Nada tenho a falar-te com relação a moça. Se fosse importante para ti eu saberia.

— Importante? Que tipo de espectro maldito és? Veio me trazer mais notícias agourentas?

— O que faria aqui se assim não fosse? É meu trabalho!

— És então a Dama da Morte, Brügmann — estava assustado. Alguém de quem gostava morrera. Não queria demonstrar mas estava começando a entrar em pânico, mas algo me fazia achar que estava seguro.
— Nada! Conclusão falha mas perfeitamente adequada ao intelecto em questão. Não sou a Morte. Ela leva, eu apenas aviso que ela levou. Sou um mensageiro. Só digo o que já aconteceu, não invento nada. Oh, não!

— Não! Não me digas mais nada!

— Nem ao menos quem foi?

— Nada. — e corri para dentro de casa.

Mal tive tempo de me conter. Mamãe foi achada sem vida na manhã seguinte.

O tempo passou e outras pessoas se foram. Mas depois de mamãe, me tornei cético e para sempre fixado no fantasma. Fui morar na fazenda, que vendi quando o dinheiro começou a faltar. Voltei para a cidade e cursei a faculdade do Largo de São Francisco a altas penas, pois passava a maior parte do tempo metido com más companhias. Nos momentos em que a angústia mais me abatia, perdia-me no xerez e no ópio.

Cada pessoa que morria então, não me causava mais o menor sentimento de perda. Não havia mais ninguém de que gostasse. Isso fez com que o fantasma não mais viesse por muito tempo. Nada me interessava. As notícias dos jornais não me chamavam a atenção nem mesmo quando aquele pintor austríaco se tornou a Führer de toda a Alemanha. Brügmann deveria estar delirando de felicidade.

Não tinha irmãos ou outros parentes. Qualquer dama da sociedade não me despertava sentimentos maiores que aqueles que obtinha às custas de alguns tostões nas vívidas casas de tolerância.

Amadureci sem nunca ter me casado ou gerado filhos, para não amá-los suponho. A solidão veio me tirando a disposição que ainda tinha, tornando mais pesadas minhas pernas e as vontades menos ferrenhas. O emprego numa repartição pública não me negava o necessário para sobreviver. Almoçava sozinho sentado num banco de praça, tendo os pombos como companheiros, a quem atirava migalhas. As pessoas passando, nas suas vidas e nas suas mortes.

Foi numa manhã ensolarada de sábado, na pracinha perto de casa que vi então uma velha senhora caminhando. Reconheci-a como sendo a mulher que lavava roupas para minha família. Tive um impulso de me levantar e ajudá-la. Acompanhá-la até sua casa e lhe dar algum dinheiro. Mas não... Sentei-me de novo no banco. Só olhei. Estava tão velha que quase não agüentava a trouxa de roupas que carregava. Ainda trabalhava, velhinha que estava. As pessoas pobres viviam de sofrimento e morriam para descansar.

Não passou uma hora e ouvi um assovio que vinha do bueiro em frente. Na guia da sarjeta fui olhar, e lá dentro estava o fantasma. Não soube o que dizer, olhando seu semblante pálido. Me avisava que Dona margarida, a lavadeira tombara sobre a tina d’água de fulminante ataque. Morrera, logo após vê-la indo para a lida. Trabalhara até a morte!

Ao que parece, naquele dia as coisas mudaram para mim, e passei a ver Brügmann de novo, todos os meses, depois todos as semanas e depois todos os dias. Era por causa do passamento do vendedor de coxinhas que me trazia o almoço diariamente, ou era por causa de alguma mãe velhinha ou então por que o menino que brincava de bola fora descuidado, ou a moça desiludida, que não sabia o nome, que trabalhava à mesa ao lado e que perdera o noivo para outra. O bombeiro que vira no quartel, um dia; o motorista do caminhão de entregas, o padre da paróquia, o soldado da polícia que controlava o trânsito...

Mas estranhamente, não vi o fantasma quando morri. Naquele dia veio a Boa Dama, vestida de preto. Fiquei em dúvida se era, talvez, porque não me importava comigo mesmo quando descobri, sinceramente, que me importava. Ou talvez fosse porque não podia ver meu amigo, antes da morte fazer seu trabalho.

Um comentário:

Madalena Barranco disse...

Olá Albarus, passei aqui para matar a saudade de seus contos e deixar-lhe um abraço de ano novo (meio atrasada) para você e família!! Li todos acima deste, que eu já conhecia e confesso que é um dos meus preferidos. Abraços.