Também escrevo sobre fantasia. Sou apaixonado por elfos, dragões e bruxos. Contudo meu livro não tem aceitação por nenhuma editora. Recentemente resolvi partir para um gasto maior de meu suado dinheirinho contatando uma agente literária (quem sabe poderia fazer por mim algo que eu mesmo já não houvesse feito). Minha surpresa foi a reação desta agente, após o primeiro telefone, quando disse que meu livro era de fantasia, ao estilo de "O Senhor dos Anéis" de Tolkien (ninguém diz que escreve romance policial "ao estilo de Sherlock Holmes, de Conan Doyle", mas se você não explicar o que é fantasia, nem um agente literário sabe o que é...). O texto que reproduzo abaixo vem de partes do e-mail que mandei pra ela:
"Olá Marisa,
Fiquei decepcionado. Não com você, em especial, mas com a situação toda. Você foi sincera, o que não poderia ser diferente. Você faz um tipo de trabalho, mas não faz milagre, não é? É necessário dizer ao cliente (ou possível cliente) coisas duras, às vezes. Acredito que ao ouvir (o pouco que foi), sobre meu livro já tenha visto que não dá. Mas deixe-me explicar melhor essa coisa de decepção...
De repente, depois de tantos “nãos” e “silêncios” de tantas editoras, ouvi isso também de uma agente literária que, teoricamente, trabalharia para mim. Seu trabalho seria exatamente convencer uma editora que valeria a pena me publicar, mas se nem você acredita nisso, então não tem jogo, mesmo. Nem pôs os olhos no meu livro e já sabe que não vai dar caldo. Isso ofende, mas sei perfeitamente que não é sua intenção. Sua experiência já lhe diz isso, Já conhece o que dá e o que não dá. De certa forma, isso já é bem definitivo e não precisei pagar por isso, não é? Obrigado. Entendo suas exigências e que já pode escolher o trabalho que melhor lhe convém. Agradeço por já dizer isso de início, e não ficar enrolando já sabendo que não dá. Poderia tirar alguma grana de mim usando de má fé, se quisesse. Foi através de muito trabalho que atingiu o patamar em que está. Por sua competência. É uma pena que não possamos trabalhar juntos.
Só não posso dizer que aprendi alguma coisa com isso. Que me convenci. Vou continuar tentando. Teimosia... Ou insistência, mesmo.
Após ter tido tantos gastos com uma obra que sequer chegou a ser publicada (leitura crítica, revisão editorial, beta-readers, impressão de dezenas de cópias e despesas postais para o envio a incontáveis editoras) houve ainda o desgaste emocional e o empenho de energia, inútil diante de tantas negativas e decepções. O papo com você não doeu tanto assim (que melodrama, não?). Só é difícil ver isso como realidade. Pra mim não é... Se vou aprender de alguma forma dolorosa, preciso pagar pra ver. Eu acho que dá certo.
Sou engenheiro, e a imagem do autor que faz tudo por sua obra, vendendo carro e apartamento para ver um sonho realizado está longe de meu tipo pessoal. Contudo, até concordaria em realizar gastos proibitivos, caso fosse necessário para a divulgação, propaganda ou para tornar meu livro um sucesso. Acho que se vende até geladeira para esquimó, se você for o vendedor certo, se usar os argumentos certos, se mostrar os pontos certos. Acha que com o Dan Brown foi diferente? Não precisa enganar ninguém, só tomar aquilo como desafio pessoal e profissional.
O mais próximo que cheguei de ser publicado foi um aceite condicional da Editora Novo Século, que na verdade consistia em publicação em parceria onde deveria arcar com gastos na ordem de doze mil reais com uma primeira edição, sendo que edições subseqüentes seriam por conta da editora, se fosse o caso.
Projetos em parceria estão fora de cogitação, por enquanto, embora a editora tenha me incluído no rol de “Novos Talentos da Literatura Brasileira” (nome da coleção em que me incluiria) aceitando a proposta de publicação com a Novo Século ou não.
Meu contato com você é porque, após quatro anos de espera basicamente infrutífera, volto a cogitar realizar mais gastos, sendo agora com a opção por um agente literário, que pudesse me mostrar caminhos mais diretos para a publicação de meu livro. Contudo, sua posição parece ser a de que isso seria desperdício de tempo e dinheiro, tendo em vista a temática do que escrevi. Seria por causa do nome em português? Imaginei que fosse, e por isso o livro foi registrado junto a BN e o mando para as editoras sob o pseudônimo de Albarus Andreos.
Teria mais perguntas a lhe fazer, mas confesso que fiquei perdido no telefonema. Sua posição parecia desconfortável em me recusar. Propus não fazer a sua leitura crítica, uma vez que já havia feito uma, mas a pergunta seguinte seria se além da leitura crítica (e a hipótese de ser aceito), teria outros gastos (além da porcentagem com a venda dos livros, mas aí já estaria vendendo. Um abraço!).
Relembrando: trata-se de obra de ficção do gênero de fantasia, ao estilo de “O Senhor dos Anéis” ou “o Hobbit” de J. R. R. Tolkien, com elfos, bruxos e dragões. Quatro livros, já prontos, que juntos formam a saga A Fome de Íbus, sendo que o primeiro livro é o Livro do Dentes-de-Sabre, com cerca de 300 páginas, sem contar adicionais como mapa e glossário dos termos, personagens e locais, já feitos."
Como podem ver, não é nada fácil convencer um agente a trabalhar seu livro de fantasia. Imagina convencer uma editora a publicá-lo.


